Enquanto a região dos Vales aguarda uma solução definitiva para a ponte da ERS-129, entre Muçum e Encantado, a burocracia passa a ser mais um obstáculo para quem depende diariamente da travessia para trabalhar, estudar e manter a economia em funcionamento.
Segundo o prefeito de Doutor Ricardo e presidente da AMAT (Associação dos Municípios do Alto Taquari), Álvaro Giacobbo, a entidade buscou uma alternativa emergencial para minimizar os impactos da interdição da ponte. A proposta previa a utilização de uma pequena embarcação, uma mini balsa de aproximadamente 11 metros de comprimento por 4 metros de largura, com capacidade para transportar até 12 passageiros por viagem, cedida por um empresário da região.
No entanto, a iniciativa passou a enfrentar exigências técnicas do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREA-RS), que encaminhou documento à AMAT e também à Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), requisitando uma série de Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) e estudos antes que a operação possa ser autorizada.
Entre as exigências estão ARTs referentes ao projeto e execução dos atracadouros, projeto e laudo da embarcação envolvendo casco, convés e estabilidade, estudo de estabilidade e inclinação, manutenção dos motores ou rebocador, plano de manutenção preventiva e corretiva, além de assessoria e acompanhamento do licenciamento ambiental.
O CREA-RS fundamenta a solicitação na Lei Federal nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, destacando que sua função é fiscalizar o exercício profissional das atividades de engenharia, garantindo que serviços técnicos e obras sejam executados por profissionais habilitados, em conformidade com critérios de segurança, responsabilidade técnica e preservação ambiental. O documento também informa que o não atendimento às exigências ou a ausência de manifestação dentro do prazo estabelecido poderá resultar na aplicação de multa.
A notificação foi emitida com base no Relatório de Fiscalização nº 20097239 e encaminhada aos responsáveis pela iniciativa.
Enquanto isso, permanece a principal preocupação da população: a ponte da ERS-129 continua sem previsão de liberação. Trabalhadores, estudantes, empresários e moradores seguem enfrentando dificuldades diárias para se deslocar entre Muçum e Encantado, enquanto a alternativa emergencial da travessia por embarcação passa a depender do cumprimento de uma extensa lista de exigências técnicas.
O impasse evidencia o conflito entre a necessidade de dar uma resposta rápida à crise logística que afeta toda a cadeia produtiva do Vale do Taquari e a obrigação legal de cumprir normas que buscam garantir a segurança da operação. O desafio agora é encontrar um equilíbrio entre agilidade e responsabilidade técnica para que a população não continue pagando o preço da demora.
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