A situação da Escola Estadual Técnica em Agropecuária de Guaporé acende um sinal de alerta preocupante sobre a condução da educação técnica na região. A redução de seis para apenas três turmas, comunicada de forma abrupta na véspera de sua aplicação, vai além de um problema administrativo — revela um cenário de fragilidade e falta de planejamento.
De acordo com informações apuradas pela reportagem, a decisão foi motivada pela escassez de professores nas disciplinas técnicas desde o início do ano letivo. A 7ª Coordenadoria Regional de Educação afirma não haver profissionais disponíveis para contratação. A justificativa, no entanto, está longe de tranquilizar: levanta questionamentos sobre gestão, previsibilidade e compromisso com o ensino público.
Cerca de 100 alunos serão diretamente impactados com o agrupamento das turmas. Em uma instituição onde a prática é essencial — especialmente na formação em agropecuária — a superlotação compromete não apenas a qualidade do aprendizado, mas também a segurança e a eficácia das atividades em campo.
Outro ponto crítico é a orientação para que professores ministrem aulas fora de suas áreas de formação. A medida, além de desvalorizar o corpo docente, fragiliza o processo pedagógico e prejudica o desenvolvimento técnico dos estudantes, justamente em uma etapa decisiva de preparação para o mercado de trabalho.
A reportagem entrou em contato com a Coordenadoria ainda na manhã desta terça-feira, mas, até o momento, não obteve retorno. O silêncio institucional diante de uma situação tão sensível reforça a percepção de abandono vivenciada pela comunidade escolar.
Reconhecida pela formação de profissionais que sustentam uma das principais cadeias produtivas da região, a escola não pode ser tratada com improviso. A ausência de respostas concretas compromete não apenas o presente dos alunos, mas também o futuro de um setor que depende diretamente da qualificação técnica.
Diante desse cenário, a comunidade não espera apenas explicações — cobra ação, planejamento e respeito à educação.
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